O chef japonês Toshio Tanahashi, especialista na culinária vegetariana budista “Shojin Ryori” e conhecido pelo seu “tofu de gergelim”, retorna ao Brasil esse mês para 2 jantares especiais no Restaurante Kinu. A Shojin Ryori faz uso apenas de produtos naturais (sem agrotóxicos ou fertilizantes químicos) e não utiliza carnes e peixes em seus pratos, bem como alho, cebola, cebolinha, nirá e nobiro (ingrediente japonês sem tradução), pois são considerados estimulantes e afrodisíacos. Sendo assim, a culinária se baseia em ingredientes encontrados no reino vegetal e são preparados de acordo com os preceitos da vertente filosófico-gastronômica de mosteiros japoneses.

Arquivo Flickr

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Segundo Tanahashi, que estudou a Shojin Ryori durante três anos no templo budista Gesshin Ji e é um precursor desta culinária, deveríamos comer apenas vegetais, pois eles oferecem comida aos demais animais sem pedir algo em retorno, eles nos nutrem, voltam para a terra e crescem mais uma vez, num ciclo harmonioso. Por isso, são considerados seres divinos no Zen. E, em respeito a divindade das plantas, na culinária Shojin não se usa nenhum tipo de maquinário, apenas utensílios e as mãos para trocar energia com o alimento, ou seja, para purificar-se e doar-se.

Conhecida como “cozinha de devoção”, a Shojin Ryori segue os ensinamentos descritos no Tenzo Kyokun, o livro sagrado do zen-budismo, escrito no século 13, ou seja, é uma prática que valoriza o envolvimento e desenvolvimento espiritual e a atração de novos sentimentos quando realizada. Por isso, são tão importantes os rituais de purificação, preparação e momentos de introspecção, como o realizado pelo chef Tanahashi de moer o gergelim no almofariz para fazer a conhecida goma dofu. Tamanha preparação tem como objetivo instaurar a paz interior no cozinheiro e ajudá-lo a “ouvir” os vegetais.

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Para o chef Toshio Tanahashi não existe ingredientes de destaque em suas receitas, pois o mais importante ao lidar com vegetais é tratar os ingredientes igualmente, já que na culinária vegetariana todos os legumes e verduras compõe o elenco principal e frutas e vegetais são tratados como iguais, sendo usados tanto nos pratos salgados, como nos doces.

Na hora de servir uma refeição Shojin Ryori existe uma lógica a ser seguida, os pratos devem ser servidos dentro de uma ordem chamada Dukaiseki. As etapas se resumem em: sopa – sopa principal – frutas – grelhados – cozidos ao vapor – frito – arroz branco em conserva – sobremesa.

Desde o fechamento de seu restaurante Gesshinkyo em 2007, Toshio Tanahashi se dedica a lecionar na escola de culinária Zecoow Institute (www.zecoow.com), em Tóquio.

Não perca essa oportunidade de experimentar a cozinha milenar que é um dos pilares da tendência macrobiótica da gastronomia,  de uma vida mais saudável e dos elementos pacíficos da filosofia budista.  Um privilégio para poucos!

Informações:
Festival Shojin Ryori no Restaurante Kinu
Data: 23 e 24 de março de 2011
R$ 135 por pessoa, inclui bebidas não alcoólicas.
Associados Club at the Hyatt têm 15% de desconto.

Para mais informações entre em contato pelo telefone 11 2838 3207.

Fontes: Ásia Comentada, Veja São Paulo Online, Paladar, Blog Falando Abobrinhas